O CEO da Meta, empresa de 79 mil funcionários e cerca de US$ 200 bilhões de faturamento, está dizendo que pretende substituir uma camada inteira de profissionais por IA, avisando que, no começo, será caro, mas que a curva de custo deve cair rapidamente. Esse tipo de discurso existe no mercado e executivos realmente falam sobre aumento de automação. Porém, a ideia de substituir uma camada inteira ainda é mais interpretação do que fato confirmado. O impacto real tende a ser aumento de produtividade e redução relativa de quadro de pessoal, não extinção de funções, especialmente porque a demanda global por software continua alta e a função do desenvolvedor está evoluindo, não desaparecendo. A Meta cortou cerca de 21 mil pessoas entre 2022 e 2023, no chamado “year of efficiency”, reestruturou times e passou a otimizar o quadro de pessoal enquanto aumenta investimentos em IA e contrata especialistas em machine learning. Isso é factual e reflete uma mudança estrutural no perfil das equipes. Na prática, empresas estão trocando parte das funções operacionais por profissionais capazes de construir sistemas mais automatizados, o que reforça a tendência de valorização de perfis com capacidade de arquitetura, integração e domínio de IA aplicada. A narrativa de que empresas cortaram pessoas que escrevem código e contrataram pessoas que ensinam IA a escrever código descreve uma tendência plausível, embora simplificada. A composição das equipes realmente está mudando, com mais investimento em infraestrutura e ferramentas de IA. Porém, isso não elimina desenvolvedores, apenas muda o tipo de trabalho. O impacto direto é aumento de produtividade individual, permitindo que um profissional produza o que antes exigia vários, o que reduz a necessidade de equipes grandes e aumenta a exigência técnica por profissional. A comparação de custo entre um engenheiro mid-level nos EUA e um agente de IA é parcialmente verdadeira apenas em termos teóricos. Não existe hoje equivalência direta de cust